Páginas

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Mundão.


O café te é amargo, a carta não te chega, teu telefone não toca, tuas roupas não te servem mais. você se tranca no banheiro, de frente ao espelho, não sabe por quanto mais aguentará essa barba que te pesa. sai pra o trabalho que te consome, com os vulgares que te embriaguem, com a puta que vai te cobrar caro. volta pra casa que te é úmida. deita na cama que te machuca. dorme o sono da véspera dos que serão executados. nesse instante, quase que à salvo, adentra no mundo dos teus sonhos tua princesa vestida de carrasco.




Por Liza




sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Quem Somos Nós.

Às vezes minha bondade é fraqueza, às vezes ela é benéfica a alguém ou a mim mesma. Às vezes restringir o impulso me anula e me deprime, às vezes restringi-lo dá-me uma sensação de força interna. Que farei então? Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei. Z-25

Gina Reis

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Sol Brilha Para Todos os Que Permitem Ele Brilhar.


Quando você se der conta de quão importante você é
quando você se der conta que sua existência tem um propósito
de que existe pessoas que se importam com você
pessoas que te admiram e ficam felizes de ter sua companhia
você irá conseguir mais forças para continuar
como um amigo meu me disse certa vez: "A vida é uma merda".
então coloco uma virgula nesse pensamento e concluo:
então façamos dessa merda o adubo de nossa existência.


Hand medeiros

domingo, 30 de janeiro de 2011

Sobre Melancia, Camarões, Água de Côco e Woodstocks.

"Você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente..." Caio Fernando Abreu.

Grande Sorriso, tudo bem? Por aqui a vida tem mudado bastante, dá até para sentir. Até mesmo tocar, sabia? Sinto que algo está diferente, e, como num quebra-cabeça, todas as peças de minha vida estão se encaixando no seu devido lugar.

Primeiramente, obrigado por ligar naquela Tarde Vazia de Natal, como sempre, me surpreendes, não é? Por isso, deixei essa música [Tarde Vazia - IRA] aqui acima, para que, enquanto você estiver lendo, possa sentir o que eu senti, ao receber aquela ligação às 13 horas e 21minutos do dia 24 de dezembro.

Ponha esse sorrisão de Melancia no rosto e ouça, sorria, e se emocione. Perceba, esse momento é só nosso, você lendo e eu escrevendo. É bom estar contigo nessa mesma frequência. Porém, peço-lhe desculpas por se conectar a ti somente agora. É minha amiga, ultimamente ando meio ocupado colocando em prática tudo o que havia dito para ti: continuo querendo ser a mudança que você quer ver no mundo. E, para isso acontecer, é necessário seguir outros caminhos e aperfeiçoar minhas atitudes.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Trocando Experiência.

Trabalhando pra viver
Vivendo pra trabalhar
Estudando pra crescer
Crescendo para mudar
Mudando a consciência
Prevendo não afundar.

Modificando o olhar
Permutando a atitude
Sabendo que amanhã
Poderá ser que eu mude
Que só quem fica parado
É quem parece ser rude.

Desmobilizando as regras
E rompendo as estruturas
Defendo a liberdade
Tirando coisas impuras
Fragmentando as entregas
Nas minhas situações duras.

Testando o que não viveu
Experimentando o novato
Inovando a cada dia
Reformando o formato
Dizendo poder trocar
A natureza do ato.

Sem trocar experiência
Nada no mundo evolui
É preciso que saibamos
Que a mudança inclui
Melhorar nossa vivência
Que a humanidade dilui.


Se opondo ao obsoleto
Reconhecendo o novo
E preservando o velho
Sem nos esquecer do povo
Em qualquer situação
Eu sei que sempre me movo.

E no final do processo
Veremos os resultados
Desta troca infalível
Que não nos deixam parados
Tendo na posteridade
Desejos realizados.

Por sermos seres humanos
Devemos nos entender
Divergir também faz parte
Assim iremos crescer
Para que possamos juntos
Com os esforços conjuntos
Experiências tecer.





Cassildo Souza

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Capítulo 2 - A separação Iminente.

"Até que o sol não brilhe, acendamos uma vela na escuridão." Confúcio

Estávamos caídos olhando para cima. O céu era escuro e chovia bastante. Fiquei tranquilo ao vê-la do meu lado, olhando para cima também. Molhados até os ossos naquela grama rala e chão lamoso, pensei como tudo aconteceu tão rápido. Lembro-me que após conseguirmos a minha lembrança no alto da Montanha Mágica Imaginativa fomos surpreendidos por milhares de Zé Gotinhas Azuis Derrubados.

Agora, estamos nesse mundo escuro e chuvoso e eu não tenho a menor idéia de onde viemos parar após Bulba abrir uma porta com sua Chave Mágica. Pelo semblante que a Criadora de Mundos trazia, conclui: assim, como eu, era sua primeira passagem por um portal dimensional, ou algo muito parecido com um. Quem iria imaginar a existência de uma Porta Surpreendentemente Conectadora de Mundos bem ali na nossa fuga? É certo que fugíamos desesperadamente dos nossos perseguidores azuis, e não sabíamos qual direção seguir. Apenas vimos na nossa frente uma porta enorme, e como se fosse para ser assim, Bulba guiou a chave até a fechadura abrindo-a. De imediato pensei que finalmente havíamos encontrado o mundo das fadas que ela tanto procurava!

Nunca estive tão enganado.

A chuva continuava a nos molhar, o cabelo de Bulba escorria pelo seu rosto. Seu ar de preocupação me preocupava também. Talvez fosse difícil para ela estar num mundo que não foi criado pelas suas próprias mãos. Apesar de estarmos perdidos, deixamos o medo nos guiar para longe dali, daquela chuva, daquele lugar.

Já calmos com nossa situação de perdidos à deriva, decidimos procurar por um local seco. O que de fato era impossível no momento, entretanto, apesar da nossa situação, eu adquiria uma aconchegante confiança, pois além de estar em companhia da Criadora de Mundos, somente ela possuía a chave para nos levar de volta para nosso lar. Sou sincero, era apenas isso que me confortava um pouco. De nós dois, somente ela tinha capacidade de girar uma Chave Mágica numa Porta Mágica. É triste, mas uma pessoa sem Coração como eu, está destinado a ficar trancado em mundo só.

Foi quando eu direcionei meu olhar para dizer algo a ela, que me surpreendi com o seu olhar sério, e ao mesmo tempo surpreso, olhando para algo, bem longe dali.

- O que foi? Falei.

- Nada... Devo estar vendo coisas. Tive a ligeira impressão de ter visto borboletas. Deixa para lá... E agora? O que faremos?! Ela gritou toda encharcada, em desespero.

- Você que maneja a chave! Leve a gente de volta para casa! Gritei mais desesperado ainda.

- Marmo, não sei como nos levar de volta, nem sei os detalhes de como isso aconteceu... Eu apenas vi a porta e coloquei a chave na fechadura e girei... Droga! Pare de gritar comigo!

- Como é? Você não sabe manejar uma simples chave?


- Estás vendo alguma porta por aqui? Quando avistares, avisa-me para assim eu girá-la bem na sua fuça, babaca. Não é tão simples assim, como pensas Marmo. Quando se está de posse com uma Chave Mágica, qualquer coisa pode acontecer. Uma porta se transforma num portal, Zé gotinhas aparecem do nada, tudo depende da situação e do estado de espírito do possuidor da chave.



Aumentar o Som, Sentar na Beira da Piscina.

Abrir uma cerveja e descansar um pouco
Deixar as notas musicais
entrar no meu ouvido,
pensar em nada...

Deixar o vento passar pelo seu corpo,
pelos seus cabelos,
pela minha pele
e pensar em nada... 

As vezes ficar só ajuda um pouco,
não o sozinho onde você definha,
não o sozinho onde fica pensando em seus problemas,
pesando das escolhas que você fez,
se tudo o que você fez foi o certo,
ou se foi o errado, ou melhor seria não ter feito nada.

Não o sozinho onde a culpa rir de sua cara,
não o sozinho no escuro sem esperanças,
mas o sozinho onde você não pensa em nada,
absolutamente nada e deixa as coisas acontecerem
como elas iriam acontecer, com sua intervenção ou não,
não pense em nada... apenas sinta...

São aqueles 5 minutos, onde só se encontra
você e seu verdadeiro eu, sem maquiagem,
sem títulos, sem cor, sem raça.
As vezes me encontro dessa forma,
meus medos, aflições e desejos

estão dando um tempo de mim,
talvez eles estejam descansando,
talvez maquinando alguma coisas
para voltar a tirar sarro de mim.

Mas aproveito esse tempo pra ficar sozinho
me fazendo companhia
pensando em nada...

Aumentar o som, sentar na beira da piscina,
abrir uma cerveja e descansar um pouco.
Deixar as notas musicais entrar no meu ouvido,
pensar em nada...



Hand Medeiros

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Nunca Mais Violão...

Quis o destino que a Maria violão se apaixonasse pelo Zé guitarra. Indiferente a tudo que não tivesse fios conectados a uma pedaleira, a pose bossa-nova da moça ignorava.
Ela, pobrezinha, de tudo tentava
Caetano, João Gilberto
Zeca Baleiro e Vanessa da Mata
Enquanto ele pra ela a cara torcia, pras grandes noitadas ia, levando ao lado a Maria palheta, a Maria Metallica.
Com os dedos da mão já calejados de tanto sofrer, desistiu, arrumou as malas e pôs-se pronta a aprender:
Tocar gaita, tocar sanfona
Pandeiro e bandolim
Nunca mais violão
Sobrenome que vendeu pra interar a prestação de seu novo tamborim.


Elizabeth Alves



quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Clareiras Indomáveis.



As clareiras que ficaram
São espaços obscuros
Eu já nem sei o que é certo ou errado
Presente, passado ou futuro.
Os sentimentos que acabaram
Me deixaram pelo escuro
Os tempos todos dessa vida viajaram
Fiquei aqui, me chocando nesse muro.

Se os dias não querem mais passar
As noites acompanham o seu ritmo
Tenho, muito, tentado me controlar
Procurar, encontrar um viver legítimo.

As coisas acontecem quando é tempo
Preciso mesmo é esperar a hora certa
Segundos que caminham iguais aos anos
Ver se tenho como achar uma porta aberta.

As virtudes nem sempre são tão precisas
Os defeitos quase sempre são perdoados
O anormal propõe ações indecisas
Mas eu prefiro o oposto, o menos esperado.


Talvez por isso é que tudo seja árduo
E eu me sinta mais pesado, mais intruso
O único errado, o que não é unânime
Que se expressa de um modo bem confuso.


Mas, o meu mundo interno é secreto
Nem sempre aparento o que tenho em mim
Lamentos passam, tudo passa, a vida passa
Tenho muito o que fazer antes do fim.





Cassildo Souza



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Capítulo 1 - A Menina Criadora De Mundos.

"Ela acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam.” Clarice Lispector

E foi naquela vez que eu e a Menina Criadora de Mundos saímos para uma subida. Era uma tarde quente de verão e o sol não cedia ao surgimento do crepúsculo. A Montanha Mágica Imaginativa era mais difícil de escalar do que eu imaginara. Estávamos com sede e nesse momento não éramos perseguidos pelos Zé Gotinhas Azuis Derrubados.

De onde eles surgiram, não tenho ideia. Mas uma coisa era certa, eles procuravam pela Criadora de Mundos. E, se procuravam por ela, também procuravam por mim. Afinal, eu a estava ajudando em sua jornada. Por enquanto, não havia nenhum sinal deles. E isso é bom, pois assim poderíamos conversar a respeito de quais medidas tomaríamos dali em diante.

- Devia ter trazido meu boné, olha esse sol? Resmunguei.

- E quem iria fazer companhia a mim em ficar com o rosto vermelho? Falou ela com um sorriso no rosto.

- Só aceitei vir com você para essa montanha porque busco pelo meu coração e meu presente dificílimo!
- Deixa de ser chato! Eu sei que amas minha companhia, se não, nem virias para esses confins de terra imaginativa comigo. E, além do mais, tudo tem seu tempo. Já dizia Caio Fernando Abreu "Sobretudo, não se angustie procurando-o: ele vem até você, quando você e ele estiverem prontos.". É assim contigo, é assim com seu coração. Quando ambos estiverem prontos, definitivamente, será a hora de vocês se encontrarem.

- Hum...

- Vês? Sempre tenho razão.

- Sua Manipuladora...

Realmente ela tem razão. Toda vez, quando viajamos juntos, sempre tenho aventuras e histórias emocionantes para contar aos meus amigos. E cada vez mais, junto com a presença dela, sinto-me bem próximo de encontrar meu coração. É como se ele estivesse bem na minha frente, mas ao mesmo tempo tão distante de mim.

Apesar de já nos conhecemos há um bom tempo, a Menina Criadora de Mundos é muito misteriosa. Pelo pouco que eu sei de sua jornada, ela busca por um fusca vermelho. Não sei o motivo de desejar um fusca, nem muito menos por qual razão deveria ser um de cor vermelha. Sei também que, além de procurar por esse veículo de seus sonhos, procurava por um portal. Dizia ela que ao atravessá-lo, haveria um paraíso de fadas no outro lado. Chegando a esse lugar, as fadinhas a ensinariam a voar e, devido a sua simpatia e dedicação, a ajudariam a aperfeiçoar suas técnicas de criar mundos. Até mesmo os Criadores de Mundos possuem sonhos, pensei comigo...

- Estais vendo aquelas nuvens lá no céu?

- Sim, estou. Respondi.

- Sempre imaginei anjinhos nelas. Quando eu era criança ficava fixamente olhando-as para quando um anjinho desse uma bobeira eu pudesse dizer "Te vi! Peguei Você.”. Daí, eles teriam que se mostrar para mim, pois não haveria mais necessidade de se esconderem. Acreditas em anjos?

- Não sei. - Respondi olhando para as nuvens apontadas por ela. O estranho é que, quando retornei o olhar para ela, enxerguei rapidamente um par de asas.

- Hunrrum.- Ela respondeu, olhando para frente em direção ao vento que circulava a montanha mágica.

- O que estamos procurando mesmo? Perguntei.

- Uma lembrança.

- Para quê?

- Vais precisar dela caso nos separemos. E, como estais sem teu coração, uma lembrança por enquanto é suficiente para lembrares de mim, caso fiquemos distantes um do outro.

- Oshi??? E eu pensando que procurávamos pelo seu fusca, ou seu portal, ou por alguma coisa bem criativa para servir de molde para uma criação de um novo mundo... E olha só o quanto já subimos nessa Montanha! E se aparecer algum Zé Gotinha Azul Derrubado?Como iremos fugir?

A única opção é continuar subindo, oras. Como complicas as coisas Marmo.