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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Da vez que...

Pode parecer estranho, mas mesmo não sendo, porque estranho é tudo aquilo que não se conhece, e, em se tratando disso, caso conhecido, portanto, não estranho, visto de vista, presenciado de presença, olhado de longe: sabido; foi assim, que surgiu, de passagem passada, no tempo, minha vó.

***

"Quem num pode com o pote não segura na rudía. Antes, nessa rua daqui da frente, no lugar dessas galerias, tinham Caibeiras. Seu avô dizia que cansou de levar Bidú, Compade Zé, Galego e tantos outros para casa. Tudo medroso. Ficavam conversando até tarde e, na hora de se ir, ninguém queria ir, ir só. Por acaso, ele era moleque de entrega? Nada. Era corajoso. Não tinha medo de assombração. Aqui, no esquisito, cheio do mato, via-se passar muitos malassombros. Homem do caixão na cabeça; mulher chorando, se lamentando, na calada de noite; cachorro preto 'doszolhos' vermelhos - grandão; a mulher vestido de preto que acompanhava quem passasse sozinho, lá, 'praquelas' bandas do cemitério velho; e a porca dos dentes de ouro e seus filhotinhos. Zuada danada. Se lembra da 'purteira' do balanço, né? Muita gente já levou carreira por ali. Por isso, lhe digo, quem levanta 'difunto' encontra assombração. Se existe ou não existe... não sei. É preferível rezar e se confiar em Deus. Esse negócio de igreja, de ir todo dia para missa, não. Domingo já tá bom. E se não tiver de chuva. Num vou adoecer. É o padre que vai vir me dar remédios. nam! Puxei ao meu pai.

Antônio. Minha mãe chamava: Antôn-ní-nhó. Era engraçado. Pai era uma graças. Brabo. Teve uma vez. A da calçada. Uma vez ele inventou de fazer a calçada lá de casa. Pai fazia de tudo. Tinha oficina, montava casa, desmontava o que tinha de desmontar e fazia raiva. Não muita. Mas o bastante.

- Seu Antônio. Num pode fazer calçada assim. Lisa, lisinha, desse jeito. A prefeitura num deixa.

- A calçada é minha e eu faço do jeito que eu quiser. É 'prá' danar queda em gente! Quero ver nêgo se danando no chão!

- Seu Antônio, e as crianças, seu Antônio?!

- Que faça de conta que essa calçada é do cão!

Nessa hora, mãe apareceu e disse:

- Do cão não! Deus me livre!

E ele desdizia:

- Do cão sim. Do cão! É pra danar queda em gente! Quero ver as pernas de quem cair assim, blummm, no ar.

Assim dito. Assim se fez. Calçada feita. Lisa que nem manteiga. Escorregava que era uma beleza. Daí, deu uma chuva e o primeiro a cair na calçada quem foi? Ele. Na mesma hora, instante, se levantou, foi lá dentro, pegou as ferramentas e, enquanto quebrava a calçada todinha, dizia alto e na chuva:

- 'CACHORRAh DA 'MULESTAh'! VOCÊ NUM VAI 'DÁh' MAIS QUEDA EM NINGUÉM, 'INFILIZ' DOS QUATROCENTOS SEISCENTOS MILIGRAMA!

Pai era engraçado demais. Não engolia desaforo. Eu também não. Agora você já sabe da minha língua solta. Quando tem algo errado, eu digo mesmo. Quem vier 'pro' meu lado com suas 'enrolada', leva um batido. Já estou velha digo o que quero e vou pra onde eu quiser.

Quando chega seis horas, não conte comigo 'pra' nada. Nos intervalos da novela coloco sua jantar. Você já sabe. Saiba a hora. 'Pra' tudo na vida isso é necessário. Paciência. Coisa que meu pai num tinha. Vinha um homem andando na rua, em cima de um jumento, beeeeem 'devagarzinnn'. Pai olhava e dizia:

- Tá vendo que eu num ando num jumento desse! Eu 'pêgáva' era o jumento e 'butava' ele nas costas e ia simbora, 'djábo'! 'Djábos' te leve com tua moleza!

É, prentis, seu bisavô era engraçado. O povo gostava dele?

Gostava sim. Só era um bebo chato. Ele parou de beber no dia em que de tão bebo, subiu numa casa, subiu, subiu, e num soube mais descer.

- Cachorra da mulesta! Que eu num bebo mais! Nem saber descer de uma casa eu 'tou' sabendo. Cana 'mizerávi'. Num bebo. Num bebo. Num bebo mais!

Mas antes disso. Antes de parar de beber. Teve um episódio. Assim como tantos outros que lhe conto.

Lá 'pra' banda de Araruna tinha uma cafezal. E nesse cafezal diziam que tinha um fantasmas, um assombro assombrando o povo. Dava Meia-Noite e lá vinha aquele negócio branco: uuuuuu- uuuuuu- uuuuuUUU! E tome carreira em quem passasse por ali, de noite. Pai, homem brabo, que num gosta de mistério.

- Amanhã, vou ver esse malassambro.

- Seu Antônio. Num vá mexer com isso. Com coisas do outro mundo ninguém..., a gente deixa quieto.

- Resolver isso amanhã.

E foi. Tomou uma antes de ir e não escutou o que Quatocão falou de não mexer com as coisas do além.

Meia-Noite. Lá vinha vindo aquele vulto branco. Na direção de pai.

- uhaaaaahhuuuuu...

Aí pai 'pra' trás gritava também:

- eeeeehhhhhuuuuaaah!

E a alma penada:

- muahahahaaaaaaaaa...

E Pai, mais alto:

- ihuaahahauuuuaaaa...

Num sei quem era mais marmotento: ele ou a alma. Só sei, meu fi, que essa alma percebeu que pai num ia correr. E, vendo isso, começou a pegar de volta 'pros' cafezais. Correu caminho de volta. Ligeiro. Corrido. Como 'djábo' foge da cruz. Pai, vendo a arrumação, meteu carrerão atrás da penada.

- CACHORRA DA MULESTA, EU LHE PEGO! CORRA! AMALDIÇOADA! VOCÊ TARÁ COM O SETE PELE, CAPETA!

Era pega 'pra' capá. Ela na frente, por cima de pau e pedra, e, ele, atrás, chamando tudo o que é nome, menos o de Deus.
Pois foi. Quando 'défé' a alma se atrapalhou e 'trubicou', estatelou-se no chão, dando tempo 'pra' Pai alcançar.

- Tá presa! CACHORRA DA MULESTA! Ahhhhhh... é você?

- Seu Antônio, pelo o amor de Deussss! Num conte isso a ninguém!

- Como é que você num tem vergonha?! Assombrando o povo a essa hora da noite! Eu vou é encher a rua amanhã! Vou contar a 'tudin'.

Ele não contou. Só se soube que nos dias que se passaram o malassombro tinha sumido. Findou. Acabou.
Seu Bisavô tem muitas dessas histórias. Depois lhe conto mais. Vou ver minha novela agora."

Mas vó, peraí, quem era o malassambro?

"Ah, o malassombro era uma mulher que botava chifre no marido. Ela fazia as presepadas dela e depois ia fazer essas 'milacrias' no meio da noite.

Tinha gente 'pra' tudo naquele tempo. Imagine agora que tá tudo 'sarrabuiado' assim. Deixar a louça aí, depois lavo. Ligue lá na globo 'pra'mim, enquanto coloco o café 'pra' gente."

Tá bom, vó. Conta aí de novo a vez do abacaxi, a da botija, a da briga na feira, a da topada na pedra?

"Depois. Vou ver minha novela. E vá ligar a televisão. Cuida! Já começou!"

Tá em Datena ainda.

"Quando acabar Datena começa. Deixa aí. Queimaram o dentista. Hoje tem que ter dinheiro, porque se não tiver os bandidos queima. Queima ou dão umas 'tapa' boa."

É, vó. O cancão tá piando.

"Nem piando tá mais. Mataram já".

É mesmo.

"Tu já vai segunda, né? Num instante se passa. A casa fica um silêncio. Gosto quando tão todos em casa."

É... Num instante, Ave Maria!

"E deixe esse curso. Coisa difícil, nam. No meu tempo de escola, eu colava tudo. Quebrar cabeça com isso. Meu negócio é cozinhar um bom comer."

'Pia' os exemplos. O feijão estava uma delícia mesmo.

"Mas eu já digo. Em razão de estudo não quero que meus netos puxe nenhum a mim. E escolha outra coisa, isso não é 'pra' você. E se for, num é agora."

Mas vó...

"A novela começou. Essa mulher aí é uma bandida! Enrola o pobi."

Qual?

"essa aí, ó".

Mas você só faz dormir nas novelas... como sabe?

"Eu? Eu não. Sei tudo o que se passa."

Vó. Vó. VÔ!

"OI?! Deixa de grito, menino."

Você aí. Dormindo.

"Tava não".

Tava.

"......."

Vó. Vó. VÔ!

"Que é, menino?"

nada.

"Pois me deixe assistir a novela aqui."

Tá.

***

Tá certo vó. Pois a saudade fica e somos nós que vamos. No tempo. Na lembrança. Na memória. No coração. No construir da construção construída da nossa vida de sonhos e realizações.

Parabéns, minha vó. Obrigado por ser minha vó. E por fazer aquele pão francês com manteiga e suco de maracujá que só a senhora soube e sabe fazer. No tempo, no espaço e na minha infância.


Prentice Geovanni

sábado, 1 de dezembro de 2012

Cara...

Cara, está tudo na paz. Muitas pessoas apareceram por aqui. Ajudando, sabe? No puro sentido de ajudar mesmo.

Hum... Esse ano foi muito legal.

Conheci tanta gente nova, que me moldou, que me fez conhecer meu coração mais um pouco.


********

Tainá: Sem as palavras dela, certamente eu não teria amadurecido um pouquinho. Além do mais, formamos uma boa dupla em fazer "Cupckão" pro Hand. 

Igor: Vishi... Ter me aproximado do bonitão aí valeu cada lágrima, cada resenhas, cada riso.

Ana: As terças-feiras sem vê-la não são terças-feiras... São segundas. 

Alanna: Com ela me tornei um fisioterapeuta muito bom. 

Marcone: Sem a organização dele, acho que eu não teria um plano b. Obrigado, mermão.

Amit: O indiano mais louco. Mandou uma mensagem agora pelo whatsapp. Ele me cobra até demais: "E aí, Dr. Prentice?". 

Simone: A desenhadora de caixões. Pagadora de Tortuguitas - num encontro, mó bacana -, valeu a pena receber alguns caixões desenhados.

Bruna: Bruna, nesse ano, foi minha neblina. Inesquecível. 

Honório: O famoso Professor. Não me esqueci do chapéu que ele prometeu a mim. 

Heldon: Se não fosse por ele, o atividade paranormal 4 seria mais assustador. Com ele do lado, o cara só faz rir do filme (de terror!).

Lili: A melhor jogadora iniciante de poker. 

Márcia: As quartas chinesas sertanejas sempre serão as quartas chinesas sertanejas.

Theo: Professor-Amigo-Sócio-Conselheiro Amoroso. Alguns Capuccinos abrem a mente.

Danilo: O bata branca mais querido. As aulas ao lado dele ficaram suportáveis.

Louise: A garota mais louca que já vi. Não tem juízo. Sério.

Bárbara: A Cogumelo.

Adriana: Destemida companheira de Whatsapp!

Goretti Leão: A psico-amiga. Surpreendente conhecê-la. Mesmo.

*******

Acho que são esses. Devo ter esquecido alguém. Mas é assim mesmo. Afinal, Somos feito pra esquecer, não é? Mas Também somos feitos pra lembrar. Lembrar que tudo continua bem. Lembrar que tudo tem que continuar bem. Faz Dez anos hoje. E por essas horas eu estava segurando o choro? E sendo forte? Talvez pensando em amor?

Não sei. Mas vou adiante. Como é ensinado. E vivido. É isso.

Prentice Geovanni

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Domingos.

Bem, Dia dos Pais.

O velho segundo Domingo de Agosto. Dia de comemorações e curtições com os nossos "Velhos". Dia que acordamos cedinho e dizemos "hoje eu digo que amo meu Pai!".

***

Quando meu pai era vivo sempre tinha vergonha de dizer "Te amo, Cara".

Minha Mãe dizia "Vá lá, rapaz, abrace seu pai. Diga que o ama". Mas, pôxa, eu tinha uma vergonha danada de dizer "pai, eu te amo!".

Besteira minha, eu sei.

Mas eu, sei lá, encarava o dizer "eu te amo" como algo de muita seriedade para ser dito ao meu "Coroa". Ele era muito divertido e ao mesmo tempo sério. Por isso, sempre fico imaginando qual seria a reação dele se eu chegasse dizendo um "eu te amo, papai!".

Certamente, eu iria levar uma piada, uma risada, ou ainda, uma tirada de onda.

Foi daí que deixei o "eu te amo" de lado. E resolvi ficar com o abraço.

Ah, Dia dos Pais era abraço bem dado na certa.
E abraço surpresa, que era pra ter uma emoção marcante. Nem conto quantas vezes fiz esses abraços, mas sei que foram muitos. Suficientes? Nunca. [Acho que é imensurável tentar descrever, praticar alguma ação, que revele os nossos tão únicos e sinceros sentimentos pelos nossos pais]

Mas, tudo bem, pois sempre me confiei em saber que ele me amava. [Aquela coisa bem de "Pais e Filhos" mesmo que todos nós sentimos sempre]. Assim, simultaneamente, ele confiava que eu sentisse o mesmo.

E, obviamente, sempre senti. E sentirei. E isso foi [e é] muito bom.

Porque, baseado nessa confiança, Fui marcado pelo jeito dele até hoje. E fico com saudades como teríamos muito o que conversar hoje em dia.

Eu falaria das minhas aventuras, dos meus verdadeiros amigos que conheci, dos meus professores moldadores de personalidade e das minhas derrotas [principalmente dessas, ele iria juntar comigo os cacos de ilusões quebradas] por essa jornada épica: a vida.

E falaria também que, se não fosse por ele, eu não teria medo [hoje não tenho tanto medo assim, agora sou forte! Será? rsrs...] de "domingos".

Ora, foi num "domingo" cedinho que vi meu pai chorar [pela primeira vez] pela morte do meu avô. Foi num "domingo" que o vi chorar numa U.T.I [pela última vez], ao sentir que íamos nos separar. E foi também num domingo que minha vez de chorar chegou. [ele sabia, eu sabia...]

E foi por causa disso que pensei "Acho que todo mundo deve ter seu dia de domingo." O seu dia de lágrimas e lembranças. Sejam essas boas ou... não tão boas.

Entretanto, o ponto em que quero chegar não é de tristeza, mas sim de alegria.

De continuidade.

A vida não é só feita de "domingos".

Temos a segunda, a terça, a quarta, a quinta, a sexta e, por fim, o sábado. E vejo que aproveitamos todos esses dias bem, não é?

Acho que sim.

Os "domingos". Bem os "domingos" são inevitáveis. É a parte da vida que nós perguntamos "Qual o sentido disso tudo?!"

Infelizmente, Não tem como evitá-los. Mas, nem todo domingo tem que ser ruim, não acham? E pra se viver os outros dias da semana se precisa passar pelos "domingos".

Sejam esses tristes. Sejam esses felizes.

Se liga, a semana é longa!

E será nela que iremos estudar, que iremos ver quem gosta da gente, que começaremos a construir nosso futuro! Será na semana [que tal numa quinta-feira, numa noite, num jantar?] que encontraremos aquele amor da nossa vida; será numa sexta que iremos curtir nossas festas e farras; será num sábado que ficaremos de cara pra cima [de boa mesmo, descansando, fazendo pipoca] com nossa família.

E será num domingo. Domingo de dia dos Pais. Que refletiremos que como é importante saber o valor de lágrimas, memórias e abraços. [daqueles lá, dos bem dados!]

Fora que podemos fazer isso da maneira que quisermos. Só estou aqui para lembrar. Para lembrar a mim mesmo.

E lembrar que: quem tem seu seu pai presente, mande aquele "eu te amo" que eu sempre tiver vergonha. Nesses momentos, temos que deixar de lado queixas e desentendimentos. Quem não conheceu seu "super-man", transfira pro seu tio, pra sua mãe, pra sua avó, sua irmã, a patente de pai.

De acordo com o Manual dos Pais, artigo da vida, parágrafo "seja feliz", isso pode ser feito nas circunstâncias que cada um possui. E as circunstâncias somos nós que escolhemos. É sempre bom lembrar disso.

O que conta nesse dia é quem foi [e é] seu pai.

Vai que chegue um "domingo" pra você e a oportunidade de demonstrar algum sentimento se vai? Melhor não correr esse risco. Não mesmo.

***

Por fim, dedico esse repente a dois grandes amigos que perderam seus "Velhos" recentemente.

Sei que o ano está sendo muito bom. A convergência de fatos na vida de cada um dos senhores(as) me levam a acreditar num ótimo futuro pra vocês [não só de vocês, mas também de algumas pessoas que ando acompanhando -afinal, a vida deles é baseada em fatos reais, literalmente. Melhor que acompanhar novela, eu acho. As chances de finais felizes e menos fantasiosos é alta].

Saibam que manterei esse "acompanhar de capítulos" num estado de reciprocidade [assim como eu os acompanho, eles - vocês - também me acompanham] bastante cativante. Não me esquecerei de fazer isso. Podem deixar.

No mais fica um conselho. Pro's dois.

Conselho meio que besta e que vocês já devem saber. Mas reitero:

Naquela hora. A de dormir. Quando se deixa de lado todas as coisas. Todos os amigos. Toda família. Todos aqueles que nos afastam daquela ideia de ausência. Quando estivermos sozinhos. E vier uma [sim, aquela mesma] lembrança do "Velho", "Coroa", do Paizão.

Aceite-as. sejam elas boas ou... não tão boas.

Essas serão suas comunhões, frequências, com eles. Será nessa hora que se perceberá o quanto foi ensinado, o quanto fomos teimosos, o quanto fomos amados e como os amamos.

Será nessa sintonia, harmonia, que nossos "Velhos" estarão: Nas nossas memórias, corações, brincadeiras. No nosso modo de ser, agir, sorrir. Perceberemos no passar do tempo que temos muito mais deles do que imaginamos. Perceberemos que somos uma "versão melhorada" deixada aqui para continuarem seus sonhos [que acabaram por se tornar nossos sonhos] que é justamente sermos felizes, fazer quem amamos muito [muito mesmo, viu?] feliz e procurar fazer nosso melhor de uma maneira divertida e misteriosa.

É mais ou menos por aí, provavelmente, que a coisa anda.

Sei lá... enfim.

Feliz Dia dos Pais pra todos.

E vamos dormir. Que amanhã logo cedo tem aula de química.

****
Prentice Geovanni

Da pequenina série: o que pode ser uma amizade?

Acho que uma boa amizade precisa ser bem alimentada. Alimentada com pão, mortadela e um bom achocolatado numa mesa do Nordestão.

O pão deve ser abertado com as mãos [se não tiver uma faca no momento], a mortadela deve fazer duas voltas para caber perfeitamente no mesmo e as conversas devem ser verdadeiras, diretas e impulsionadoras.


Não importa q
uem esteja, quem passe, quem olhe. O que importa é o que se passa na mesa. As pessoas da mesa são o foco. As pessoas que conversam na mesa são o foco. As pessoas que conversam na mesa sobre o que tem que ser conversado são o foco.

O universo está ali. Na mesa. No pão. Na mortadela. No achocolatado. E principalmente: no que é dito por quem compartilha desse momento.


Obrigado, Excelentíssimo Nobre Parlamentar Lorde Gabrielzinho da Sandalhinha.


Prentice Geovanni 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Um Problema Importante: 1/2mv2 + mgh

Para que se possa tentar fazer alguma coisa, ou querer modificar o funcionamento desse universo tão danificado pelas escolhas erradas feitas por aí, não adianta enxergar e conhecer os erros na "Matrix". Esses estão muito além de uma possível correção. Ora, a diferença entre ver o errado e tentar agir da maneira correta são atitudes próximas, porém intangíveis, ou seja, figuram em planos totalmente diferentes.

Pois é, ou se participa, ou se ausenta, da tragédia mundana, nunca os dois papéis ao mesmo tempo. (Meio termo nunca foi o forte por aqui).

É fato, o caos reina na sua e na minha vida e isso continuará eternamente. Afinal, nosso universo se comporta sempre tendendo a um maior estado de entropia, estado de desordem. (Lembre-se: são as regras. Apenas isso. Não as mude. Penalizações existem pra quem faz isso)

Porém, de algum modo, alguém teve a ideia "brilhante" de resumir nossa (insignificante?) existência em deixar tudo na mais perfeita e magnífica ordem. "Sejamos felizes, tenhamos muitos amigos - até mesmo os falsos, pois esses, um dia serão legais - curtamos a vida sempre com um sorriso no rosto!".

Tudo balela.

Tornamo-nos responsáveis pela mudança no nosso mundo interior e exterior... O que acaba por ser uma droga. Bem gigante, por sinal.

Hunf... Tudo já era uma bagunça por si só. E não será eu, ou você, ou ainda, alguma entidade, que mudará o modo como as coisas funcionam. Nossa "energia positiva" não tem capacidade de nos sustentar por um dia, imagine por uma vida.

Portanto, não coloque a felicidade no final do percurso que pretendes seguir, com isso, o saldo final será o tédio e a frustação. Coloque-a durante o realizar do seu trajeto. Perca (ganhe?) tempo com quem caminhará ao seu lado. Escolha bem quem viajará contigo, porque são essas pessoas que tornarão sua existência mais significativa.

E quando chegares ao final de alguma jornada, perceberás que o objeto que desejaras não era tão desejável assim. E o que importou mesmo foi aquele vazio que carregaste durante toda a busca para a realização final dos teus sonhos, metas e alcances (que não eram grandes coisas assim, vá lá...).

Sim, aquele vazio, em que todos achavam ser uma tristeza tremenda, acabará por ser realizar nas mais infinitas possibilidades existentes nos universos múltiplos de nossas escolhas e erros.

E o mais legal é que esse caminho, essa fuga do otimismo fajunto, se faz presente em algum momento da nossa vida.Mesmo com os erros da "Matrix" por todos os lados e com nossa incapacidade de não conseguir mudar/revolucionar o mundo. Provavelmente, quem sabe, isso faz parte das regras do jogo e apenas não sabíamos (ainda) disso.

Prentice Geovanni

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Toalha de Joaninha e Toalha de Dinossauro.

“Não quero ser a joaninha. Ela é tão pequininha diante do dinossauro. Dinossauros são ferozes, rápidos e grandes. Se fosse para escolher entre ambos, eu prefereria o segundo.”

“Mas, você terá a vantagem de se esconder, de voar por aí e de se sentir raro. Joaninhas são tão dificíes de serem encontradas hoje em dia, que se eu encontrar uma, faria um pedido agora mesmo.”

“Você por acaso já viu algum Dinossauro por ai? Eles que são raros. Dão um ar de tempo perdido. De que podiam tudo. São imponentes. São dinossauros.”

“Não é bem assim. A vida de um Dinossauro não é fácil. Além de estarem extintos, ninguém vai muito com a cara deles. Ser Dinossauro hoje em dia é tão difícil que eu preferiria ser uma joaninha. Dinossauros fala tudo aos gritos, são desleixados e são perigosos!”
 

“Antes tudo isso do que ser frágil. Joaninhas são pirralhas. Não quero ser Joaninha. Quero poder correr atrás de presas e ser o maior predador que já existiu!”

“Do que adianta ser um predador que não existe mais? Melhor a Joaninha, que não é fóssil, é vermelhinha com bolinhas pretas e fofas. Ser Joaninha é tudo que há! Você deveria ficar muito feliz com isso. Joaninhas são masculinas e agradam até hoje. Já os dinossauros...”

“Os dinossauros são perfeitos! Provavelmente, eles estão escondidos só esperando a gente baixar nossas defesas, para assim, eles dominarem o mundo com suas formas espaçosas e gritos horripilantes, capazes de estremecer o céu, a terra e o mar. Dinossauros mandam.”

“Nada. Dinossauros são solitários. Não gostam de andar em bando. Sempre arrumam confusão. Preferem escolher a forma de viverem da melhor maneira possível, acho eles mó egoístas... mas já que você não acha...”

“Agora que você falou...”

“É. Melhor a Joaninha. Que sabe viver sozinha ao seu modo e não é egoísta.”

“Joaninhas e Dinossauros são bem parecidos. Ser sozinha ao seu modo e viver feliz da maneira que se quer é a mesma coisa! Você quer me enrolar. Quero ser um dinossauro. Joaninhas é mais feminina, serve para
você.”

“Realmente, tens razão. Mas, do que adianta terem algo em comum, se nunca chegam a uma decisão? Na verdade, somos bem parecidos, você Joaninha e, eu, dinossauro.”

“Já disse que eu que quero ser o Dinossauro, ora bolas.”

“Mas você não tem atitude de Dinossauro, você é mais como uma Joaninha, chega sorrateiramente, devargazinho, conquistando com sua forma pequeninha...”

“Enquanto você, é como um Dinossauro, chega de supetão. De uma pacada só nos assombra e ao mesmo tempo nos impressiona com o seu jeitão... Na verdade, você é bem Dinossauro mesmo...”

“Viu, até você tá concordando comigo. Pronto, decidido. Eu sou o dinossauro e você a jo...”

“Não quero ser a joaninha.”

“Joaninhas são cabeças-duras iguais a você. Aceite sua condição de Joaninha, meu bem. Se damos um peteleco numa joaninha, ela sempre pousa noutro lugar perto de onde estava antes, é assim que ela nos
lembrar de sua insistência.”

“Tá me chamando de chato? De uma joaninha chata?”

“Que isso, sou estou mostrando as característica marcantes de uma joaninha. Mostre-me as de um Dinossauro? Certamente, eles não tem.”


“Hum... mas dinossauros são tão legais... são ávidos, velozes, bonitos de se ver, mostram o quanto somos pequenos e fragéis. Ser dinossauro é ter força para conseguir o que se quer. É caçar nossos sonhos. É caçar nosso amor, nossos desejos...”

“Por isso, mesmo prefiro o Dinossauro. Fique com a Joaninha. Seremos uma dupla legal. Jó-dino, a dupla dinâmica! Ou será melhor Dino-jó? Que achas?”

“Dino-jó é legal... EI! Você tá me enrolando com esse negócio de heroi, de dupla dinâmica e taus... Viemos até aqui para escolher entre Joaninha e Dinossauro. Lembra?”

“Eu sei. E o que estamos fazendo? Estamos escolhendo. Eu fico com o Dinossauro e você com a Joaninha.”

“Mas eu queria escolher a Toalha de Dinossauro... Fique com a Toalha de Joaninha?”

“Não! E Pronto!”

“Mas...”

“Mas nada! Já decidi. E a última palavra é a minha. E vamos embora que o filme vai começar.”

“Tá. Tá certo." 



********* 


E foi assim que ela conseguiu a Toalha de Dinossauro...
Prentice Geovanni

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Garotinho Gelado e A Garotinha dos Pudins Servidos Numa Tardezinha de Sexta-Feira Qualquer.

Na maioria das vezes (se não, quase sempre) nos enxergamos como pessoas com um enorme sucesso na vida e no trabalho que escolheremos. Paramos, sentamos, e, visualizamos a rota que seguiremos para alcançar nossos objetivos. Entretanto, isso não é suficiente. Pelo menos é isso que estou descobrindo nesses tais (meus) singelos momentos de solitude e probabilidade.

Não sei qual a razão de pensar na pergunta primordial, aquela que talvez toda pessoa faz em algum momento de sua vida, mas acredito que seja esta: "E aí?". Isso mesmo, a pergunta é simples. Porém, a resposta não. Pois é, um simples "E aí?" para desencadear uma sequência de questionamentos com inúmeras possibilidades de respostas capazes de mudar destinos e vidas. Exagerado? Nenhum pouco.

Foi então que sentei de frente para aquela Garota (é isso mesmo, tudo se trata de uma garota) e já meio sem jeito soltei um desses "E aí?" primordiais. Ela, primordialmente, respondeu-me: “E aí quem diz é você, meu caro, Pê”.

Como cheguei ali, naquele lugar, com ela, provavelmente ninguém acreditaria. Por isso, irei poupá-los da prolixidade do ambiente e da situação. Porém, posso dizer-lhes que se um dos integrantes do Refúgio não tivesse ligado para mim naquele dia, precisamente numa sexta-feira vespertina, e não me convencesse a encontrá-lo para colocar nossas conversas em dia, certamente, eu nunca estaria diante dela e jamais ouviria daquela boca seus conselhos mais vivos e cheios de bons presságios...

E, só agora, provavelmente, entendi as respostas. As perguntas não.

Depois de tanto procurar dentro de mim, percebi que todas minhas escolhas, decisões e emoções foram feitas para se chegar ao coração dessa Garota que faz essas perguntas primordiais. Tornei-me muitas coisas por ela, desde o mais belo heroi ao perfeito vilão, aperfeiçoei-me em saber acalentar o coração dos que estavam ao meu redor, para que assim, um dia, pudesse acalentar o dela. Aprendi a necessidade de ser quem sou e de fingir como devo ser em certos momentos. Aprendi a chorar, a rir, a escrever, a ser simples. Tudo para adquirir experiências capazes de mudar a sua complexa vida (e toda vida não tem sua complexidade em si?). Saber utilizar isso perfeitamente como um objetivo tornou-se meu objetivo. Com o tempo, descobri minhas diversas facetas: boas e ruins, é claro (e todo ser humano não tem disso?). Porém, se isto serve de consolo: jamais me esqueci do quanto é necessário saber quem sou verdadeiramente nas horas difíceis.

E foram nessas situações, quando descobri em meus pensamentos, na fala do Cantante-Poeta-de-Versos-e-Estrofes, habitante lírico de todo ser consciente de sua existência, que “As vezes nos falta o mais Belo Sorriso num dia de chuva. Então, como viemos perder a nossa tão querida poesia?” Nunca entendi de poesia, mas concluí: O Cantante-Poeta-de-Versos-e-Estrofes estava ocupado com outras coisas mais importantes no momento; além do mais, o maldito levou meu Guarda-Chuva-Amarelo para se proteger de possíveis temporais que estavam por vir. No fim, provavelmente, ficarei a mercê da chuva e sem nenhum sorriso à vista...

...Apenas, apenas com frio.

Igual aquele Garotinho Gelado, sobrevivente da Terra dos Ventos Gelados, que continuava sua busca por um lugar mais aconchegante e repleto de calor. Calor humano? Calor sentimental? Calor amigo? Quem sabe.

Por muito tempo, esse garotinho procurava pela Garotinha dos Pudins Servidos Numa Tardezinha De Sexta-Feira Qualquer. Apesar dos tempos serem complicados e de se estar cada vez mais difícil de encontrar qualquer vestígio dela, ele não desistia.

O Garotinho Gelado vinha de uma linhagem de perdedores, porém isso não o desanimava. Pelo contrário, era um grande motivo para continuar em frente e ser um Vencedor das Dificuladades Particulares de Todo Mundo. Ora, das poucas vezes que se sentiu como um desses, ele estava junto da Garotinha dos Pudins Servidos Numa Tardezinha De Sexta-Feira Qualquer. Portanto, ao lado dela, sentiu-se capaz de tudo, até mesmo, de torna-se um digno e verdadeiro Vencendor das Dificuldades Particulares de Todo Mundo.

Sim! Vencer fazia parte do seu plano quando se tratava de sorrir, de sorrir como... Como ela. Sorrir de tudo, de todos, de si e da vida.

A Garotinha dos Pudins Servidos Numa Tardezinha De Sexta-Feira Qualquer também procurava pelo Garotinho Gelado (Há reciprocidade? Então, tudo resolvido!). Todavia, a falta de sincronia entre encontrá-lo e realizar o que ela tinha de realizar a deixava relutante... Queria atender estar junto dele, mas esse não era o momento. E quando seria, então?

Apenas seria.

Pois, para o Garotinho Gelado, existem certos Episódios da Vida Real que para serem feitos devem levar mais tempo, preparo e efeitos especiais para, somente modo, tudo sair conforme o Script de como se escreve um romance digno de ser vivido. Afinal, não é o cinema que imita a vida, mas sim a vida que copia o cinema.

Acho que, assim como ele deve pensar, somos todos personagens de um grande filme cujo melhor final revelador estar para se concretizar de uma maneira maravilhosamente surpreendente. Nele descobrirei que o Cantante-Poeta-de-Versos-e-Estrofes estava errado, que a poesia nunca foi perdida e que sempre houve lugar para ela existir e se transmutar. Os versos continuaram, sim, sendo feitos e as estrofes estavam por todos os lugares, cantadas por quem sabe viver bem e em paz.

E a moral do grande finale?

Seria que o Cantante-Poeta-de-Versos-e-Estrofes estivera ocupado com outras coisas. Entretanto, estivera ocupado em querer encontrar o coração de sua tão única amada. Nada mais justo de que tomar “emprestado” meu Guarda-Chuva-Amarelo para realizar tal nobre missão. Além do mais, não estou sozinho numa suposta chuva, muitos guardas-chuvas-amarelos também estão por aí junto comigo disposto a me proteger de possíveis temporais. Por isso, nada perdeu o sentido.

E talvez seja esse o motivo do Garotinho Gelado seguir em busca da Garotinha dos Pudins Servidos Numa Tardezinha de Sexta-Feira Qualquer. Mesmo que ela desapareça e retorne, ele tem que ser forte em estar ali por ela. Por ambos. Ela não precisa saber o quanto o mundo lá fora é gelado e cheio de ventos solitários. Ela, mesmo sendo a mais forte, continua sendo quem ele quer proteger. No amor, na alegria, na tristeza, na solidão, na companhia. Ele precisa ser o que ela precisa.

E os bons presságios continuaram a vir. Na Teoria. Pena que não sou que nem o garotinho gelado... Sempre Otimista. Enfim, esse não é um texto feliz. Afinal, não existem finais felizes... Apenas meios felizes. Acho melhor deixar isso de lado. Acreditar na gente juntos é algo totalmente improvável. 

Prentice Geovanni
 

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sobre Um Pouco de Capas Voadoras.

Arremesse uma grande rede no espaço e pegue todas as estrelas ou alguma coisa. Enquanto eu pegarei uma ou duas estrelas e então as jogarei novamente de volta para o céu. E não esqueça que se eu pude ir em frente, sem olhar para trás, é porque você ficou na minha vida. Por isso, lhe devo um obrigado...

E saiba: mesmo se eu estiver no chão, se você estiver lá para me erguer novamente... eu voarei inúmeras vezes para o céu!

- Gintama (adaptado)


Meu Eu poético se encontra distante de mim. Porém, tentarei chamá-lo, para juntos, escrevermos um dos mais belos textos que já produzimos. Coloco uma bela canção do Oasis, Don't Go Away, para atrair a velha sensibilidade perdida por causa da correria do dia-a-dia. Tento captar a musicalidade e sonoridade do Oasis, que é fora do comum, e acabo por me deixar levar pelos nossos melhores momentos juntos. Caio em minhas lembranças, desperto-as em minha mente e, unido a elas, tudo começa a se tornar laranja, daí seu sorriso se abre quando me ver, e, por fim, saiu de mim e estou com contigo.

Tu como parte de mim, como parte de um todo, como parte de minha existência, acabas por existir. E como é bom saber que existes! Se soubesses o quanto o universo sorrir por causa disso, jamais ficarias triste ou cheia de dúvidas em relação quais caminhos queres seguir. Tua alegria atrelada de uma maneira tão significativa a tua pessoa, ao teu ser, ao teu jeito é o que estou mais admirando em ti, nesse momento de relance que estamos passando por aí. Entendes aquele sentimento de orgulho, de ter feito as melhores escolhas certas, para estar ao lado de alguém? Pois é, valeu a pena cada minuto, cada briga, cada madrugada, cada conversa, cada aforismo, cada frase, cada palavra carinhosa vindo de ti. Valeu mesmo. Vale a pena, sim, estar ao teu lado.

Apesar de algumas vezes acontecerem coisas erradas (e estranhas) conosco, tudo tende a conspirar para que possamos ser felizes. Mais felizes do que já somos, claro. Ora, se acreditamos que Tudo conspira ao nosso favor, à nossa felicidade, deveríamos utilizar isso como uma regra para deixar nossos sonhos mais emocionantes e repletos de pessoas que nos fazem um bem danado, não achas? É assim, a partir de hoje, que encararei meus obstáculos, será dessa maneira que me renovarei, me vencerei e me tornarei melhor do que já sou. Obviamente, farei tudo isso com o propósito de ser feliz e estar feliz quando estiveres precisando de mim. Nada melhor do que um pouco de felicidade compartilhada com quem gostamos para valer, não é?

E aí, como é sentir alguém fazendo o melhor para que sejas feliz? Deve ser um sentimento único e realmente capaz de transformar o seu modo de ver o mundo.

E é vendo seu mundo, minha cara, que acredito no poder de construir algo novo nas pessoas. Diferentemente de querer mudá-las e moldá-las, será bem mais proveitoso acrescentar-lhes uma nova característica, uma nova lembrança, um novo sentimento de produtividade, carinho e aconchego. Acho que é por aí o caminho que tantos procuram para colocar sentidos em suas vidas: saber construir memórias essenciais para sempre querer ser impulsionados para frente, adiante, bem além... Dito isso, leia agora em sinceras letras garrafais: VOCÊ ME IMPULSIONA A SEMPRE IR ALÉM. Legal, não é? Também acho surpreendente. Lembre-se disso. Ou seja, não esqueça.

Uma grande Mestra, amiga minha, falou-me que "o ponto de vista faz o objeto. Sempre que puder, olhe por um ângulo diferente, se você mudar o ângulo, pode ver coisas que antes não via". Não tenho nem o que discutir, ela, além de mostrar o verdadeiro sentido da perspicácia, ainda ensina como é o verdadeiro enxegar diante de qualquer referencial. Apliquemos isso em nossa pequena vida. Melhoremos o jeito de ver a nossa essência diante de nós mesmos. Sejamos permanenteme capazes de continuar sendo o que somos mudando sempre. Entendeu? No mais, será com seu olhar, com o seu laranja, que procurarei ter bons olhos.

Obrigado, por me ensinar a voar quando estou ao seu lado. Obrigado, pela tua atenção quente e aconchegante que por sua vez torna-se minha capa para voar em busca dos meus sonhos, do meu Eu mais nobre, do seu Eu mais que perfeito.

Obrigado, por isso e tudo mais.

Obs.: Que você consiga realizar os sonhos mais profundos e verdadeiros do seu coração... e que consiga ser feliz, bem feliz com isso... Desejo também que você tenha paz, e que tendo paz, seja serena, e que sendo serena, seja calma, e que sendo calma, consiga pensar melhor, e que pensando melhor, se torne mais sábia do que já és...

Prentice Geovanni 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Serif e a Biblioteca.

“E lendo teus bilhetes eu penso no que fiz. Querendo ver o mais distante sem saber voar, dispensando as asas que você me deu.”
- Herbert Vianna

E dessa vez ele estava dormindo.

Não sabia o por quê, mas, esporadicamente, ele sempre sonhara aquele mesmo sonho: com a biblioteca onde estudou toda a sua infância. Entretanto, com as mais diversas variâncias, Serif sempre encontrava ali, naquele tipo de sonho, entre os muitos livros ali existentes, as mais diferentes pessoas. Algumas ele conhecia, já outras nem tanto. Para Serif, isso não importava muito. Ora, mesmo que seja em sonho, é sempre bom conhecer gente nova, não acham?

Dessa vez, o que ele via diante de si era uma estante com a coleção de Artemis Fowl, de Eion Colfer. Estranho? Nenhum pouco. Bibliotecas tem mesmo essa função de guardar livros. Estranho mesmo é quando do lado de fora, dessa mesma biblioteca, em vez dele encontrar uma vista para o pátio em que ele brincou quando criança, ele encontra um corredor que vai dar em direção a uma espécie de mistura entre o que seria uma brisa marítima e um uma ponte feita de concreto ligando duas realidades: uma, em que ele, Serif, tinha certeza de ser do seu tempo pueril, enquanto que a outra, seria de um tempo qualquer. Certamente, isso sim, era estranho. Todavia, era um sonho. E sonhos poderiam ser estranhos, desde que ainda fossem sonhos, não é óbvio isso?

No meio dessa ponte, estava uma pessoa muito importante da vida de nosso querido Serif. E, no fim dessa mesma ponte, estava também outra pessoa bastante singular para ele. Era dessa pessoa que vinha a brisa do mar, porém não havia mar. Havia pessoa. Sem mar. Mas, com brisa do mar.

Serif queria passar por aquela ponte. Fazia tempo que não via aquela pessoa bastante singular. Tinha muito o que falar para ela. Talvez, quem sabe, poderia dizer o quanto sente por ter sido o que ele foi. E que, sim, hoje sim, ele enxerga a coisa com outros olhos. E que, se soubesse que certas atitudes poderiam ter sido tomadas, provavelmente, o caminho, a história, teriam tomado um rumo completamente diferente do que tomou. Serif apenas sentia muito. E, certamente, por sentir tanto, talvez seja por isso que essa pessoa bastante singular estivesse ali em seus sonhos. Entre bibliotecas, pessoas importantes e pontes com brisas marítimas. Mas aí vem a pergunta? “Se essa pessoa singular se encontra ali, quem estaria se eu não sentisse algo?” Perguntando melhor: é melhor sentir algo, como arrependimento, por exemplo, para assim, encontrar pessoas que foram singulares na nossa vida? Ou não sentir nada e jamais ver essa pessoa novamente nem mesmo em sonhos?

Serif não sabia responder. Contudo, para o próprio, isso não importava. Estava mais que na hora de atravessar a ponte. Mais que droga! A pessoa importante não quer deixá-lo passar para o outro lado. Vamos Serif, convença a essa pessoa importante que há coisas a serem ditas à outra pessoa no fim dessa ponte. Ufa, ainda bem que tudo deu certo. Pessoas importantes para gente, Serif, sempre entendem nossas decisões, mesmo que com essas, nos machuquemos. Mas, dessa vez você fará tudo certo, não é, meu caro, Serif? Ninguém se machucará... não mais. Ambas as partes entenderão seus erros. Ambos, quando estiverem frente a frente, apenas sorrirão um sorriso recíproco e seguirão juntos para além ponte, não seria bom assim, Serif?

E a pessoa importante ficaria para trás? Não, claro que não. A pessoa importante iria também além ponte. Ok, tudo bem.

Serif, ao chegar diante da pessoa singular, lembrou de tudo que passaram juntos. Desde as primeiras emoções à última briga sem sentido. Pensou em voltar para o começo da ponte novamente e não dizer mais nada do que queria dizer. Iria adiantar alguma coisa? Tudo foi vivido, tudo foi passado, tudo existiu... e, então, foi pensando nisso, que ele percebeu que a pessoa singular estava tão sozinha e poderia ficar muito bem sem ele. Será que poderia mesmo? Ela estava com cara de choro. É melhor voltar, Serif?

Serif deu as costas para a pessoa singular e pensou que nada tinha mais jeito. Há certas coisas: a palavra dita, a flecha lançada e bláh-bláh-bláh que jamais voltan atrás. Do mesmo jeito era ali. Naquele sonho maluco. Percebendo isso, a pessoa singular caiu no chão e se viu em um desespero de aceitação, de “tudo bem, foi escolha dele, eu entendo.”. Serif, porém, se lembrou de quando estava no início da ponte: que só queria dizer tudo o que tinha pra dizer. Mas isso não bastava, Serif.

Então, o que bastaria?

E vendo a pessoa singular “entendendo tudo”, Serif entendeu que não entendia nada. E voltou seus olhos para onde estava antes: na própria pessoa singular. E ele não a via com olhos de pena nem de arrependimento. Mas sim, de querer estar junto. Ora, não devemos ficar juntos de quem amamos? Serif chegou perto e, finalmente, abraçou a pessoa singular. E eles lembraram do quanto era bom um abraço mútuo em direção do além ponte.

Pin-pin, pin-pin, pin-pin...

Prentice Geovanni

sábado, 28 de janeiro de 2012

Sobre um Pouco de Ascendente de Escorpião.

E desde muito tempo ele já prestara atenção nela. Gostava de como se encontravam no corredor da escola onde estudaram o ensino médio. Gostava de como ela olhara para ele naquelas manhãs ensolaradas com bastante vento para deixar o clima agradável. Mesmo que ela não lembre disso, ele continuava a gostar dela. Gostava da ideia que um dia iria conhecê-la e seria bem próximo, quase íntimo, quase um casal, quase um, na sua presença.

Pois bem, o tempo passou, a chuva caiu, o vento levou e na moda da nova idade média, ele acabou conhecendo-a.

Por instantes pensou em como a vida tem desses lances que esperamos por tanto tempo e quando, sem mais nem menos, o que mais desejamos acaba por se encontrar bem ali, diante dos nossos olhos, na agenda do celular, no contato do Messenger, no desejar de um Bom Dia. E por causa disso, e com uma certa razão, ele passou acreditar em paixão e moinhos lindos. Começou também, a entender que existia uma mágica no cotidiano de cada um e que bastaria saber como ela funcionava, para assim, desse modo, encontrar algum sentido nas magias disponíveis do universo utilizáveis ao nosso favor.

Será que sou Medieval? Pensava ele. E ela? Será que era daquelas que diziam “amo tanto que tiro férias”?

Amar? Amava. Tirava férias? Nem tanto. Sabia viver? Claro. Gostava? Do quê? Dele? Sim. Oras. Obviamente. Tanto que não queria magoá-lo. Não ele... O que fazia nas horas vagas? Certamente ela responderia “Construo castelos. Dá para ter diversão fazendo isso, sim. Afinal, sempre é bom ter jeito para tudo. Inclusive construir castelos. Castelos de sonhos e companheirismos. Vivemos essencialmente para isso: erigir castelos e ter alguém que seja bom em pilhar os tijolos de castelos junto com a gente. Até princesinha dormindo feito anjo já tenho comigo.”

Percebe-se de imediato: ela, possuía muita fé e acreditava no português sentimental. Enquanto ele, coitado, ainda estava se acostumando com ser crente e escritor. Entretanto, apesar disso, aos poucos seu envolvimento com as palavras recíprocas dela e, suas conversas rápidas correndo em busca da princesa - tão Clara, e tão querida -, ele acabou de perceber algo que sempre quis ouvir: a voz dela. E pensou: como é bom ouvir a voz dela. Era do jeito que imaginara no ensino médio: envolvente, doce e aconchegante como uma noite de sábado ao lado de quem se gosta vendo as estrelas no céu taciturno das dez.

E os olhos? O que têm? Mais tarde ele descobriu que foram quebrados por causa de uma queda das alturas. Mas, mesmo assim, os achou tão bonitos de se encarar numa noite de réveillon enquanto se inicia um ano novo repleto de promessas e grandes metas a serem alcançandas. São como duas jóias raras, difíceis de se obter, cujo o objetivo seria jamais deixá-las molhadas com lágrimas. Exceto as de alegria, é claro.

Algum dirá isso a ela? Algum dia ela dirá isso a ele? Adianta pensar nisso agora? Provavelmente não, mas já é um bom começo pensar assim, não é? É? Quem sabe? Ela? Ele? Os dois juntos? Tá aí uma coisa boa, legal: os dois juntos. Ele escutando, ela falando. Ele receoso, ela com coragem. Ela ligando e ele na mensagem. Ele em busca de uma frequência, ela a procura de uma sintonia.

E assim, eles continuaram sendo ele e ela da maneira que são. Não esquecendo de cativarem mais e mais o algo que surgiu de bom entre os dois. 


Prentice Geovanni

domingo, 15 de janeiro de 2012

Sobre Um Pouco de Vestibas, Canapês e 20th Century Boy's.

[Vai Conseguir Vencer as Barreiras e Abrir os Caminhos.]
Bem, hoje vim falar sobre um das caras que esse blog me fez conhecer muito bem. Seu jeito carismático, irônico e defensor de um ponto de vista qualquer está bastante explícito em sua personalidade. O interessante é que minhas preocupações, muitas vezes, tornaram-se suas preocupações. E é nisso que eu vejo o verdadeiro significado da amizade: quando um cara, uma garota, sente a mesma dor que estamos sentindo e nos servem de apoio com os alicerces que encontram ao seu redor. Esses alicerces podem ser uma companhia durante uma sessão de um filme numa tarde de sabádo, pode ser uma noite ébria na praia vendo as estrelas, pode ser uma ida ao parque de diversões. Ou, até mesmo, uma simples conversa sentado num velho Correio de sua cidade interiorana. O fato é que as formas de alicerces são muitas, mas a maneira como se é construído o momento mágico do "entender o significado da amizade" vem de cada um. E é isso que torna a vida tão impressionante e misteriosa.

Posso afirmar que conheci muitas pessoas ao longo de minha vida de estudante em "cursinho pré-vestibular". Acho que tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas no auge de seus sonhos. Nessa época da vida da gente, os que prestam esse exame, não existe nada que ofereça resistência de alcançar seus objetivos. Somente uma prova e inúmeros conteúdos. Já vi muitas reviravoltas. já vi muitos desistirem de sonhos que pensavam ser os seus sonhos, mas que na verdade era o sonho dos outros. Descobri também que muitos conheceram mais de si quando entraram numa universidade. Enfim, conheci muitas pessoas e seus sonhos. E foi conhecendo eles que quero dizer a você, caro amigo, que te desejo mais do que isso.

Não queira apenas descobertas, queira também resultados. Não Queira desistir dos seus sonhos, queira fazer de tudo que estiver ao vosso alcance. Queira dar tudo de si para com as pessoas que você ama. Seja receptivo, jamais trate ninguém com indelicadeza nem arrogância. Seja ético e justo (sei que você é), e se alguma vez você não for, lembre-se de voltar atrás e pedir desculpas.

Caro amigo, vou te pedir que você se esforce bastante e que tente ser o melhor dentro do seu potencial. Lá na frente, precisarei de teus sonhos para tornar meu sonho em realidade. E saiba que, por enquanto, devemos apenas nos se entregar de corpo e alma aos nossos projetos, nossas escolhas e nossas decisões. Vamos levar nosso jeito de ser para mais e mais pessoas que existe nesse mundão de meu Deus. Vamos contribuir um pouco com a humanidade, vamos tornar real o que ninguém mais acredita hoje em dia: a realização de sonhos. Temos de ser os velejantes e possuídores dos sonhos. Temos que ser barco, navegantes e mar. Temos que ser o que somos de coração: sonhadores. Não nos deixemos desanimar. O ato de sonhar não estar morto, apenas foi esquecido. E acho que será nossa função sonhar cada vez mais alto, sonhar cada vez mais sonhos, sonhar passo a passo em como sonhar acordado com uma realidade. Com a realidade que escolhemos.

Muito obrigado, pelos conselhos para seguir em frente, pelos ensinamentos em acreditar num ponto de vista e, é claro, por me fazer defender esse ponto de vista. Obrigado de coração, pela miniatura do Monkey D. Luffy. (Nunca agradeci publicamente) E, principalmente, obrigado: por sempre acreditar em mim. E me apoiar nos meus alicerces. Espero que um dia, eu possa retribuir a você, com meus alicerces, todas as palavras e considerações que você desmonstrou para comigo. No mais, jamais esqueça de sempre seguir em busca de seus sonhos e de seus novos objetivos.

Tem uma citação de 20th Century Boy's que gosto muito. E quero que você leve ela com você, em seus pensamentos, na sua psique. Trata-se de um momento bem sutil da história do mangá. E são nesses momentos que devemos prestar bastante atenção na obra que estamos acompanhando, não é? Você sabe disso mais do que eu. Por fim, que venha a citação.

"- Já está cansado, filhote de formiga?

- O que eu posso fazer pra ser mais forte?

- Mais forte?

- Isso.

- Para ter 'força', deve-se conhecer a 'fraqueza'. E a 'fraqueza' é 'timidez'. 'Timidez' é esperar por algo importante. e 'esperar por algo importante' é 'força'."

Ou seja, sem nada importante, nunca seremos fortes. Daí vem as perguntas: você já encontrou algo, alguém, para ser forte? Você está esperando por algo importante também? Você quer ser forte? Quais caminhos terás de seguir para conseguir sê-lo? É mais ou menos por aí que deves seguir, meu nobre amigo. Fazendo perguntas, procurando respostas e encontrando resultados. Lembre-se disso, que eu me lembrarei também. Parabéns pela sua conquista no Vestibular e peço desculpas pelas vezes que não apareço e não cumpro com minhas palavras.

Valeu pelo canapê, 
e que tenhas muitas outras conquistas, 
meu amigo, 
Júnior.
Prentice Geovanni

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Serif e Eles.

Dedicado para a garota do pacote de serenatas perdido. Não te esqueci e nesse ano vamos resolver nossas pendências.

E Foi a primeira vez que me vi perdido no meio da multidão. As pessoas eram muitas. Os jeitos de olharem eram bem diferentes do que eu olhava. E, realmente, isso me impressionou muito, pois, por algum motivo, eu queria ter um pouco daquele olhar também. Entretanto, mesmo com os objetivos iguais e caminhos iguais, eu não conseguia entender a razão de não ter os mesmos olhos deles. E isso me preocupou bastante. É fato. Procurei muito pelos olhos deles. Acho que foi procurando por isso que aprendi muito do que sei hoje em dia. É, a procura por aqueles olhares sempre me motivaram a trilhar os mais tempestuosos caminhos. Eu gostava de ver eles olhando para o que eu não conseguia olhar. Eu gostava de ver como eles viam o que eu não via, mesmo que eu não pudesse ver o que eles viam.

E foi procurando por esses olhos que acabei por encontrar meu próprio jeito de olhar.

Gostava de ver a determinação de cada um deles. Eu ficava animado quando via suas conquistas, mas ao mesmo tempo me perguntava: por que eu não consigo minhas conquistas também? Faltava determinação? Faltava. Faltava competição? Faltava. Faltava disciplina? Faltava. Sempre me faltava algo. E por me faltar algo, eu me deixava faltar. Faltar em mim, faltar nos outros, faltar no faltar.

E foi faltando que aprendi que não adianta seguir os passos dos outros, se meus passos são diferentes destes. Aprendi que minha história não era igual a deles. A história deles era a história deles. A minha história é minha história. Os caminhos, os encontros, as decisões, cabe a mim tomá-las e seguí-las. As pessoas, as aventuras, os momentos, quem escolhe sou eu vivê-los. Aprendi que não adianta tomar por base a vida de ninguém, afinal, apesar de tudo, somos considerados um mundo, um universo em si. E cada mundo tem sua regra, sua lei natural, de como funcionar.

Funcionando estou. E da maneira certa.
Prentice Geovanni
 

Considerações Iniciais.

Ok. Vamos para as considerações iniciais. Já está em tempo. Tanto que 2012 já chegou todo afoito e destemido, oras! Como vocês podem perceber, aos poucos o Refúgio dos Fujões está se construindo, tomando forma. É certo que paramos o pouco o ritmo e tiramos um tempo para descansar. Mas, de uma forma ou de outra, sinto que esse ano será decisivo para todos nós, integrantes daqui. (É apenas um pressentimento, viu?)

Bem, primeiramente, quero lhes dizer que as camisas não foram feitas por motivos maiores de doenças (Bora, Handerson) e reprovações nos vestibulares (ó, eu aqui). Entretanto, isso não é motivo para desgosto e muito menos mal humor. Afinal, estamos todos com saúde e dispostos a estudar de novo seja lá para o que for. O que eu quero dizer é que se 2011 foi bom, 2012 será melhor ainda. Pois, várias sementes foram plantadas nesse ano que se passou e, passado um tempinho, parece-me que algumas dessas começaram seu processo de crescimento. Logo, só nos resta esperar e continuar nossos vidas de onde paramos e de onde estamos para ir. (Não é?)

E, olhando para onde estamos indo, eu, Handerson e Aldir continuamos a planejar novas alternativas futuras para com esse nosso (e de vocês também, óbvio) projeto. Finalmente, implementamos o Tutorial explicando como as coisas por aqui funcionam e, além do mais, continuamos a procurar por mais ferramentas que tornem o blog mais interativo, acolhedor e dinâmico. Para isso, é necessário pesquisas no velho mundo virtual. (Pois é, tem muita gente habilidosa por aí que nos serve de inspiração.)

Por isso, espero que todos integrantes daqui percebam que existe muita coisa de muita gente boa espalhada pelo Refúgio. E, uma dessas coisas que me orgulho em utilizar um pouco é: a criatividade de Saint Antonie Exupéry aqui pelo Blog. Temos os Asteróide B-612, temos nossos códigos com pensamentos do principezinho, enfim, procuramos ter uma relação estreita com determinado autor que gostamos muito. Seja Rubem Alves, seja Schulz, criador do Snoopy, não importa. Apenas acho que essa é uma das maneiras de cultivarmos e, de certo modo, levarmos aquilo que cada autor quis nos passar para nossa construção. Seja de caráter, de observação, ou ainda, de entendimento de nossa alma.

E acredito também que devemos procurar adquirir uma relação estreita com nosso Eu mais intímo utilizando dos autores que mais gostamos, pois com certeza, desse modo, poderíamos empregar isso de forma mais intensa nos nossos textos, na nossa vida, na nossa realidade. (Esse seria nosso grande lance e diferencial: unir nossa leitura, dos mais diversos escritores, ao nosso cotidiano.) Eu sei que pode parece balela minha, mas acredito que possamos fazer isso, galera. Podemos fazer o que os autores queriam que fizéssemos: mudar nosso quadro social a partir da leitura em si. Afinal, não podemos ficar na mesma quanto à forma de escrever e se expressar. Oras, podemos sempre procurar o aperfeiçoamento. Nunca esquecendo de nossas imperfeições, é claro. (Não confundam o que eu estou dizendo aqui, nesse texto, como algum tipo de cobrança, certo?)

Todavia, a procura por querer ser melhor em alguma coisa (no nosso caso, escrever bons textos, e também, em tudo de nosso interesse) é difícil, porém querer ser bom em algo, tornar a busca bem animada e divertida. Pode ser uma virtude entender que os caminhos mais cheios de dificuldades e complicações, seja o caminho mais sensato. Ou, talvez, seja mais sensato escolher os caminhos com maiores dificuldades, para somente assim, nos tornarmos mais sábios. Não sei.

Sei que, como vocês podem perceber, minha intenção com "Essas Considerações Iniciais" é apenas motivar cada um de nós a continuar escrevendo sobre a vida, sobre nossos bons momentos, sobre nossos queridos filmes, pensamentos, amizade, opiniões, poesia, enfim, sobre o que tivermos vontade. Que nesse ano, possamos entender quais os nossos planos, nossas metas, nossas atitudes. No mais, jamais esqueçamos da diversão que é unir nossos sentimentos à técnica da escrita. E que venha um Novo Mundo!


Prentice Geovanni

sábado, 31 de dezembro de 2011

Considerações Finais.

Nós nascemos na mesma galáxia. Nascidos da mesma espécie, nossas vidas se sobrepõem. Os encontros entre outros seres humanos são tão improváveis quanto um milagre. Para rir, para chorar e para apaixonar-se... Todos tem um por cento de chance. Assim, logo, estou deslumbrado com o fato de haver tantos milagres no mundo.
- Arakawa Under The Bridge


Antes de iniciar meu texto de fim de ano, quero agradecer a cada um que passou por aqui e deu uma lida em nossos pequenos rabiscos. Quero agradecer, principalmente, a vocês, meus amigos, que estão espalhados por esse Refúgio e a minha disposição quando eu mais preciso. Muito obrigado, por suas memórias, por seus conselhos, por seus sentimentos e por seus escritos.

Bem, meus caros, sem mais delongas, chegamos ao fim de 2011. Foi um ano muito bom. Aliás, espero que tenha sido um ano maravilhoso para todos. Tivemos momentos de aprendizado, tivemos nossos momentos de alegria e, claro, tivemos nossos momentos de tristeza. Sei que a dificuldade se fez presente na maioria das vezes, mas também sei, que talvez, somente assim, pudemos aprender a conviver um pouco com essa “danada” de uma maneira mais amigável, não é?

Nesse ano que se passou, realizei três sonhos: conheci uma garota fofa, meiga, um pimpolho, que rir de algumas piadas, sem graça, minhas (é eu sabia que um dia iria conhecê-la, porém, sabia também que ela não ia me querer, portanto continuemos “a eterna procura”); consegui ir aos show's de Biquíni Cavadão e Maria Gadú com as pessoas que me cativaram e que amo de coração (e os show's foram do jeito que eu imaginei que seriam: perfeitos!); e, por último, consegui ver o que faltava em mim para alcançar objetivos bem maiores, bem mais além do meu alcance. Pois é, fazendo a restropectiva aqui, realmente foi um ano de mudanças e de progressão com minhas percepções, ou como dizem por aí, de despertar meu Eu interior (nada de risadinhas, ok?). No mais, espero que 2011 tenha sido da mesma maneira com vocês: ter conhecido alguém importante; ter vivido alguns momentos perfeitos e ter encontrado defeitos em sua psique.



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Sobre Um Pouco de Babosas.


Era uma vez uma babosa jogada no monte de lixo, perto de um cemitério, com as raízes para cima. Era feia. Ou melhor, estava feia. Talvez já estivesse morta e sem esperanças para viver de novo seus tempos de babosa verde e cheia de vida. Quem fez aquilo: arranca-la de onde estava plantada e jogá-la num lixão, ninguém jamais saberá. Porém, ninguém também saberá como e qual o porquê de uma pessoa, ao passar por ali, pegar aquela babosa, toda feia, morrendo no canteiro de um cemitério, em volta do lixo e trazê-la consigo, para sua casa. Provalvemente, houve alguma transferência de sentimentos humanos para uma simples e maltrada planta, ora, essa pessoa poderia ter sido tocada por um sentimento de abandono ao ver aquela pequena babosa do jeito que estava, não acham?

Vendo-a naquele estado, pego-a por uma de suas ramificações, colocou um pouco de fé em pensar que a moribunda verde poderia viver, e foi em frente para sua casa. Carregando a miserável de um fim triste e tenebroso. Chegando lá, procurou um vaso vagabundo, um pouco de terra que havia sobrado de algum lugar, um tanto de água da torneira na pia quebrada e pronto. Estava feito o jarro da babosa. Estava feita a sua casa. Estava feita sua nova moradia.

E foi com o passar de alguns dias que a babosa começou a perceber que estava viva novamente. Raí­zes bem estabelecidas, água e sol para sua fotossí­ntese, parece que realmente outra chance lhe foi dada. Como deveria estar agradecida por ter sido salva, como poderia retribuir o favor de ter sido plantada outra vez? E mais, como poderia pensar uma coisa dessas sendo uma simples sobrevivente plantinha?

E foi quando estava pensando justamente nisso que ela foi vista por aquele garoto. Ele olhou para ela de cima, mostrando aquele ar de superiodade e se perguntando "quem colocou essa babosa na minha porta?". De início a pobrezinha ficou com medo de não ser aceita, afinal, era nova naquele lugar e não queria ser interpretada como uma visitante inesperada. Preferia ser vista como nova inquilina, certamente não queria confusão. Afinal, sabia que outras plantas já estavam por ali há bem mais tempo que ela. E chegar de supetão assim, não fazia seu estilo. Porém, apesar dela não ter culpa de ter sido colocada ali, sabia que aquele seria seu novo lar: em frente ao apê daquele garoto que a olhou de um modo indiferente. Surpreso, todavia, indiferente.

Com o passar do tempo a babosa começou a ver como era a vida do seu vizinho. Tinha dia que ele chegava feliz, tinha dia que ele chegava triste, tinha dia que ele não chegava. Reciprocamente, ele também começou a ver a sua vida: sempre paradona, esperando por um pouco de água, que nunca vinha da parte dele. Era uma vida monótona, mas era melhor essa vida do que acabar muchando num lixo, ao lado de um cemitério. Pelo menos existia um garoto para tirar um pouco de sua casmurrice de planta. Como será que ele chegará hoje? Acompanhado? Sozinho? Com raiva? Será que o dia dele foi bom? Hum... como ele estar feliz em falar com essa pessoa, quem será?

Foram três anos de convivência. Nenhuma troca de palavras. Ela, a babosa, até entendia. Não queria que seu vizinho fosse chamado de "o maluco que falava com plantas". Não, isso não. Há certas coisas e momentos que é melhor mantermos distância e torcer para que tudo fique bem. Ele não tem culpa por não saber o quanto ele era especial para ela. A vida tem disso: lutas que devem ser lutadas e lutas que se resolvem por si só. Essa era uma delas. Não adianta aceitar, também não adianta negar. O que importa é o tempo que passaram juntos, mesmo que o lugar não fosse dos melhores.

No mais, foi num novembro qualquer que ele disse suas primeiras palavras para ela: Adeus e obrigado pela companhia. Se cuide. Eu te percebi assim que te vi, apesar disso não muda o fato que estou indo embora. Pelo menos servirá de consolo que você ajudou alguém. Obrigado também por me salvar.


Prentice Geovanni